segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Greve na BA pode acabar em tragédia


Tropa de choque se junta a cerco a grevistas na Assembleia da BA


FÁBIO GUIBU
ENVIADO ESPECIAL A SALVADOR
GRACILIANO ROCHA
DE SALVADOR

A tropa de choque da Polícia Militar se juntou, na manhã desta segunda-feira, aos homens do Exército, das Forças Armadas e da Polícia Civil no cerco a Assembleia Legislativa da Bahia, onde está um grupo de policiais militares em greve. Ao menos dois helicópteros do Exército sobrevoam o local.

Há princípio de confusão. No começo da manhã, um policial militar furou o cerco montado por homens do Exército e da Força Nacional ao redor da Assembleia e se juntou aos grevistas. Ele foi perseguido por um policial da Força Nacional, que desistiu ao perceber um grupo de PMs saudar o colega.
Familiares e policiais grevistas que estão do lado de fora da Assembleia também tentaram invadir o prédio na manhã de jpke. Eles foram contidos por homens do Exército, que dispararam balas de borrachas no chão. Policiais da Tropa de Choque da Polícia Militar foram chamados e isolaram o grupo.
Choque
A tropa de choque chegou correndo ao local e se dirigiu ao fundo do prédio. Dezessete carros da Policia Militar do Semi-Árido --que não aderiram à greve-- também chegaram ao local por volta das 7h.
O cerco ao local começou no fim da madrugada e, segundo o Exército, tem o objetivo de isolar os manifestantes para depois executar mandados de prisão e esvaziar o prédio. A luz do local foi cortada na noite de ontem, que, de acordo com os grevistas, tem mulheres e crianças de PMs acampados.
Os PMs então em greve desde a noite da última terça-feira (31). O grupo pede a incorporação de gratificações nos salários e recusou a proposta de reajuste de 6,5%. Eles também prometem reagir no caso de um uma invasão por homens armados.
Os jornalistas são mantidos a 100 m de distância do local. No entanto, a reportagem daFolha viu urutus (veículo blindado de cerca de 15 toneladas, armado com metralhadora) se movimentando nas proximidades e a chegada de um urutu no local às 6h10. O clima é de extrema tensão.
Os grevistas estão reunidos no pátio da Assembleia, acompanhando a ação e passando instruções aos manifestantes utilizando um carro de som. Às 6h11, os manifestantes cantavam o hino nacional e acenavam com as mãos para os policiais, gritando: "Vem! Vem! Vem!"
Fabio Guibu/Folhapress
Homens do Exército fazem cerco a Assembleia Legislativa da Bahia, local onde estão policiais militares em greve
Homens do Exército fazem cerco a Assembleia Legislativa da Bahia, local onde estão policiais militares em greve
O assessor do soldado Marco Prisco Caldas Nascimento, líder dos grevistas, Valdeck Filho, disse à reportagem que os militares se encontram a 50 m da assembleia e que a estratégia dos manifestantes é resistir até o fim. Nervoso, declarou "Vai acontecer uma chacina aqui, e o responsável é Jaques Wagner".
Ontem, o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Nilo (PDT), deu um ultimato para que os policiais militares desocupem a Casa até a meia-noite. "Quero a Casa que eu presido de volta. Não posso permitir que o Poder Legislativo seja esconderijo de foragidos", disse.
Na madrugada do último sábado (4), a reportagem esteve na Assembleia e estimou que havia entre 800 e mil pessoas na Casa.
Fabio Isamo Guibu/Folhapress
Exército participa de cerco a Assembleia Legislativa da Bahia; PMs em greve permanecem no local
Exército participa de cerco a Assembleia Legislativa da Bahia; PMs em greve permanecem no local
PRISÃO
Ontem (5), foi preso um dos 12 policiais militares grevistas que tiveram a prisão decretada na semana passada. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o PM é acusado de formação de quadrilha e roubo de um carro da corporação.
Ele é lotado na Coppa (Companhia de Policiamento de Proteção Ambiental) e foi preso pelo comandante da companhia. Além de responder pelos crimes, o policial vai passar por um processo administrativo na própria corporação.
CRIMES
O número de homicídios registrados na região metropolitana de Salvador já chega a 89 desde o início da greve da PM, na noite da última terça-feira (31). Apenas na madrugada de hoje, já foram registradas três mortes desse tipo.
O dia mais violento até o momento foi a última sexta (3) quando 32 pessoas foram mortas.

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