sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Dois pesos e duas medidas


Privilégio - do latim privilegiu, direito exclusivo, regalia, imunidade.


O dicionário Houaiss da língua portuguesa traz, dentre várias acepções do termo  privilégio, a jurídica, segundo a qual se trata de “situação de superioridade, amparada ou não por lei ou costumes, decorrente da distribuição desigual do poder político e/ou econômico”.  

O mesmo dicionário se refere à palavra privilégio como “direito, vantagem, prerrogativa, válidos apenas para um indivíduo ou um grupo, em detrimento da maioria; apanágio, regalia” ou “riqueza, conforto, bem material ou espiritual a que só uma minoria tem acesso”.
Em espanhol, privilégio, que se escreve  privilegio, é “exención de uma carga, un ravamen, una obligación o una norma que una persona com autoridad concede a otra de forma excepcional”.
Por volta das 16h de hoje, conversava com um colega que se mostrava "irresignado" (pra dizer o mínimo) com alguns fatos que considerava profundo "desprestígio" à própria carreira.
Relatou-me o nobre amigo Delegado que jamais poderia compreender a atenção "especial" que é concedida aos casos que envolvam grandes personalidades da política, Juízes, Promotores e grandes empresários, sendo ainda menos compreensível que tal tratamento "especial" não seja extensivo a Delegados (ao menos à maioria), investigadores, escrivães, peritos, médicos etc. (apenas para deixar bem claro, o tratamento “especial” a que se refere o presente é em relação à rápida solução do fato)
Por óbvio que ninguém aqui está a defender tratamento vip, seja para os agentes políticos e demais categorias citadas acima, seja para integrantes do grupo APC, o que se perquire é a diferenciação de tratamento.
Por qual razão um policial civil, no caso um Delegado, vítima de roubo ou qualquer outro ilícito é encaminhado a uma delegacia distrital e Juiz tem seu caso levado diretamente à SEIC? Porque despender toda estrutura de uma Superintendência a fim de investigar um "furto"? Não seria a delegacia da área em que se deu o fato ou mesmo a delegacia de roubos e furtos a unidade com atribuições para tal investigação? Aliás, como é praxe nos casos envolvendo os "comuns".
É lembrado por Mário de Oliveira Filho que a República e a democracia exigem, para sua implantação e manutenção, a aplicação literal e diuturna do princípio da igualdade e do estado de direito. O privilégio em si é a negação dos conceitos de república e de democracia.
Uma instituição que pensa ser grande e que sustente suas atuações ante a perspectiva de uma imagem Republicana, apartidária e independente deverá sempre postar-se acima de particularidades, se não há valorização entre seus pares, como exigir essa mesma valorização de terceiros?

Antes que me venham com interpretações equivocadas



Um comentário:

  1. José Raimundo Batalha Jardimsábado, outubro 01, 2011

    Senhor Moderador,
    De fato os delegados de polícia precisam ter uma efetiva consciência da sua responsabilidade profissional e social. Na verdade, vejo que há a necessidade de um certo resgate da valorização da carreira. De certo modo a nossa ADEPOL/MA já vem fazendo isso na forma que é possível. Penso de forma bem particular e de há muito venho batendo nessa tecla (inclusive coma inclusão de emenda ao arcabouço de propostas da chapa que cheguei a integrar nas últimas eleições, que um dos pontos que tem que ser atacado é essa prática abominável que chamo de "delegado ad hoc", a qual, quando é conviente, tem sempre a complacência do MPE. Acho que a ADEPOL devia inclusive cogitar a possibilidade de entrar com ações judiciais para impedir tal coisa. Veja, como podemos ter respeito, dignidade, salários melhores, se "vira e mexe" a gente ver sargentos, cabos, soldados, etc, "respondendo pelo expediente" de delegacia fazendo toda sorte de procedimentos que compete apenas a Delegados. É lógico que, se "qualquer um" pode fazer o nosso trabalho, o nosso valor obviamente é menosprezado por quem tem o dever de nos valorizar, nossos governantes.Pense e reflita. Abraços Fraternos

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